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Conceitos Iniciais de Hipertensão Arterial Sistêmica

Dominar os conceitos iniciais da hipertensão arterial sistêmica é o primeiro passo fundamental para quem almeja a aprovação nas provas de residência médica e concursos de alto nível – trata-se da condição cardiológica mais frequente na prática clínica e nas questões de cardiologia das provas!

Neste artigo, vamos revisar os tópicos iniciais do assunto: diagnóstico, classificação, avaliação complementar e estratificação de risco cardiovascular!

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Definição e critérios diagnósticos da hipertensão

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é caracterizada como uma condição clínica multifatorial definida pelo aumento sustentado dos níveis pressóricos. De acordo com as diretrizes brasileiras e internacionais, considera-se hipertenso o indivíduo que apresenta pressão arterial (PA) sistólica maior ou igual a 140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica maior ou igual a 90 mmHg. É imperativo ressaltar que o aumento deve ser sustentado, descartando-se elevações esporádicas causadas por estresse agudo ou esforço físico momentâneo.

A regra geral para o diagnóstico estabelece a necessidade de, pelo menos, duas visitas médicas distintas, com aferições alteradas em ambas. Alternativamente, o médico pode utilizar uma única medida de consultório associada a exames domiciliares, como o MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) ou o MRPA (Monitorização Residencial da Pressão Arterial). Essas ferramentas ajudam a confirmar a persistência da elevação pressórica fora do ambiente ambulatorial, conferindo maior segurança à conduta terapêutica.

Existem, contudo, exceções cruciais onde o diagnóstico é selado em apenas uma consulta. O primeiro caso envolve o paciente “muito hipertenso”, que apresenta de imediato valores iguais ou superiores a 180/110 mmHg. A segunda exceção refere-se ao paciente de alto risco cardiovascular, mesmo com níveis de estágio 1. Nesses cenários de gravidade clínica ou pressórica evidente, o início do acompanhamento e tratamento não deve ser protelado por novas visitas confirmatórias.

A técnica de aferição demanda rigor para evitar diagnósticos errôneos, especialmente em populações específicas. No paciente idoso, por exemplo, o examinador deve estar atento ao hiato auscultatório, fenômeno que pode subestimar a pressão sistólica ou superestimar a diastólica. Recomenda-se sempre a palpação prévia do pulso radial para estimar a sistólica pelo método palpatório antes de iniciar a ausculta com o estetoscópio.

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Classificação dos níveis pressóricos e categorias

Classificar corretamente a hipertensão é indispensável para definir a agressividade do tratamento e a periodicidade do acompanhamento. A divisão atual separa os pacientes em categorias que vão desde a pressão ótima até a hipertensão estágio 3. Um macete prático para memorização é utilizar a regra do 10/5 para as fases iniciais e a regra do 20/10 para os estágios de hipertensão propriamente ditos.

Caso haja uma divergência entre as pressões sistólica e diastólica (por exemplo, 145/105 mmHg), o profissional deve sempre classificar o paciente pelo estágio mais avançado (neste caso, estágio 2). Existe ainda a hipertensão sistólica isolada, caracterizada por sistólica ≥ 140 com diastólica < 90, um padrão extremamente comum em idosos devido ao enrijecimento das grandes artérias.

A identificação de fenótipos específicos, como a hipertensão do jaleco branco e a hipertensão mascarada, também faz parte da rotina de classificação. Na primeira, o paciente está hipertenso apenas no consultório; na segunda, ocorre o oposto: a pressão é normal perante o médico, mas elevada no cotidiano. A hipertensão mascarada é especialmente perigosa, pois apresenta um risco cardiovascular similar ao da hipertensão sustentada, exigindo tratamento imediato.

Para esta classificação, é essencial lançar mão dos métodos complementares de aferição da pressão arterial fora do consultório:

Rotina de exames complementares obrigatórios

Após o diagnóstico da hipertensão, a diretriz estabelece uma lista de exames iniciais mínimos que devem ser solicitados para todos os pacientes. O objetivo desta triagem não é apenas confirmar a doença, mas rastrear lesões de órgão-alvo (LOA), estimar o risco cardiovascular e identificar precocemente indícios de hipertensão secundária ou comorbidades associadas.

A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025 padronizou a avaliação complementar e a estratificação do risco cardiovascular do paciente hipertenso da seguinte maneira:

  • Exames mínimos de rotina diagnóstica:  urinálise (pesquisa de proteinúria/microalbuminúria), potássio, creatinina (para cálculo da taxa de filtração glomerular), glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c), ácido úrico e perfil lipídico completo.
  • Eletrocardiograma de repouso (ECG): obrigatório na avaliação inicial para rastreamento de sobrecargas de câmaras ou sinais de hipertrofia ventricular esquerda (HVE).
  • Estratificação pelo escore PREVENT: as diretrizes recentes adotam formalmente o escore PREVENT para estimar a probabilidade de eventos cardiovasculares em 10 anos. O paciente é estratificado em risco baixo (< 5%), intermediário (5% a 20%) ou alto (> 20%) com base nas suas comorbidades e lesões de órgão-alvo associadas.

É importante destacar que alguns exames são frequentemente confundidos como obrigatórios, mas não o são de rotina, como a dosagem de sódio, ureia ou a realização de ecocardiograma e exames de tireoide. Estes devem ser reservados para casos específicos onde há suspeita clínica de doenças concomitantes ou necessidade de avaliação mais profunda de função ventricular.

Estratificação de risco cardiovascular

A Diretriz da SBC de 2025 ressalta que todo paciente hipertenso deve passar por uma estratificação de risco cardiovascular global, que permite estimar prognóstico e auxilia nas decisões sobre o tratamento. Desde já, Coruja, adianto que este assunto não aparece em tantos detalhes nas provas, mas vamos aproveitar a oportunidade para revisá-lo!

Vale ressaltar que esta estratificação é diferente da estratificação de risco cardiovascular de doença aterosclerótica, descrita na Diretriz de Dislipidemias, por exemplo, que avalia a chance de eventos cardiovasculares em 10 ou 30 anos, e auxilia nas decisões terapêuticas nas dislipidemias.

Vamos elencar, de modo resumido, o passo a passo para estratificação preconizado pela diretriz:

1º: Avaliar condições de alto risco:

1- Diabetes;

2- Lesão de órgão alvo;

3- Doença cardiovascular prévia;

4- Doença renal crônica;

5- Hipercolesterolemia familiar;

2º: Caso o paciente não tenha tais condições, deve-se calcular o escore PREVENT, que indica:

  • Baixo risco: < 5%
  • Risco limítrofe: 5 a < 7,5%
  • Risco intermediário: 7,5 a < 20%
  • Alto risco: ≥ 20%

A diretriz agrega alguns outros fatores agravantes de risco, como escore de cálcio de coronária, BNP, troponina e a lipoproteína A.

3º: por fim – se o paciente ainda não ficou classificado como alto risco – deve-se analisar a tabela a seguir, que combina níveis pressóricos, fatores de risco cardiovasculares (CV), lesões de órgão-alvo, e comorbidades:

Para te tranquilizar, Coruja: sinceramente, não me lembro de uma questão que tenha ido tão fundo na estratificação do hipertenso. De todo modo, vamos concluir com as informações finais:

Os critérios para lesão de órgão-alvo considerados são:

Coração:

  • Hipertrofia ventricular esquerda documentada pelo eletrocardiograma (pelos índices de Sokolow-Lyon, aVL ou Cornell).
  • Hipertrofia ventricular esquerda documentada pelo ecocardiograma(pelo índice de massa ventricular esquerda – IMVE).

Grandes vasos:

  • Alteração no índice tornozelo-braquial (ITB < 0,9).
  • Presença de placas nas carótidas na ultrassonografia (USG de carótidas).
  • Rigidez arterial aumentada na velocidade de onda de pulso (VOP carotídeo-femoral ≥ 10 m/s).

Rim:

  • Doença renal crônica a partir do Estágio 3a (TFGe < 60 mL/min/1,73 m²).
  • Presença de Albuminúria (≥ 30 mg/24 h ou relação albuminúria/creatininúria ≥ 30 mg/g).

Retina:

  • Retinopatia hipertensiva diagnosticada pelo exame de fundo de olho (FO) utilizando a classificação de Keith–Wagener–Barker (KWB).

Já os “fatores de risco” considerados podem ser resumidos no mnemônico TIFODS:

Obviamente, o assunto não para aqui, Coruja: as provas cobram o tratamento, acompanhamento e as complicações da hipertensão – todos estes tópicos abordados em detalhes em nossos materiais de Cardiologia! Não deixe de estudar com o maior Banco de Questões autônomo da área médica, com mais de 200 mil questões disponíveis, sendo mais de 108 mil comentadas alternativa por alternativa e mais de 75 mil resolvidas em vídeo pelos professores especialistas do Estratégia MED.

Perguntas frequentes

Como é feito o diagnóstico de hipertensão arterial?

O diagnóstico de hipertensão arterial é geralmente feito com a aferição da pressão arterial em duas ou mais consultas, com pressões ≥140/90 mmHg. Pode também ser confirmado com aferição domiciliar através de MAPA ou MRPA.

Quais são as categorias da classificação da hipertensão arterial?

A hipertensão arterial é classificada em várias categorias: pressão ótima (<120/80 mmHg), pressão normal (<130/85 mmHg), pré-hipertensão (130-139/85-89 mmHg), hipertensão estágio 1 (140-159/90-99 mmHg) e hipertensão estágio 2 (≥160/100 mmHg).

O que é hipertensão do avental branco?

A hipertensão do avental branco acontece quando a pressão aferida no consultório é ≥140/90 mmHg, mas as medidas domiciliares são normais. Isso ocorre devido à ansiedade que algumas pessoas sentem na presença do profissional de saúde.

Quais são os exames complementares obrigatórios para investigação da hipertensão?

Os exames complementares obrigatórios incluem urina I, microalbuminúria, glicemia, hemoglobina glicada, potássio, creatinina, filtragem glomerular, lipidograma e eletrocardiograma. Esses exames auxiliam na identificação de lesões de órgão alvo e complicações.

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